Coisas do Botelho, aj

Mais uma vez este autor consolida textos publicados previamente nas redes sociais visando contribuir junto ao capital social de Manaus para uma discussão vertida ao mito do desenvolvimento, em prol das amazonidades, em prol de um capitalismo amazônico, em prol do autodesenvolvimento.

Desta vez, são reflexões socializadas na grande rede entre 2009 e 2015. Cada uma delas tem sua própria lógica interna e foram arranjadas neste livro com sinergia positiva do geral para o específico, do chão amazônico para o chão institucional. Individual e coletivamente, têm a mesma natureza intrínseca do livre pensar, do livre pensamento.

O livro tem duas perspectivas, que se mesclam: política e profissional. Política porque aponta, ainda que sutilmente, o processo de marginalização sofrida desde que se declarou anti-PT. Cidadã porque reafirma sua convicção contrária ao modo de adoção da ZFM [Zona Franca de Manaus], ao mesmo tempo em que propõe uma visão de futuro alternativa, combinando mecanismos, instrumentos e ferramentas convergentes. À essa perspectiva, adicione-se a não aceitação pelo chão institucional do discurso da ZFM como Projeto, frente ao padrão de comportamento associado à postura do politicamente correto. Profissional porque ratifica o compromisso com a organização que alberga sua vida de servidor público por 31 anos. E também porque assume o desafio de contribuir para a superação da ZFM.

Não é o primeiro, nem será o último exemplo na história da humanidade, que, ao pensar contrariamente ao status quo, é afastado do jogo institucional, tanto pela elite local, que representa o conjunto de forças hegemônicas, quanto pelos seus próprios pares, notadamente por aqueles revestidos de autoridade para zelar pela ZFM na sua condição de modelo. Pensar de forma livre, fora do pensamento único, politicamente incorreto, gera aversões e marginaliza. Sem falar que talvez seja irreversível o estereótipo criado de ser avesso, cognitivamente falando, à incentivos fiscais, de ser um incorrigível polêmico libertário e até mesmo de que não querer trabalhar.

Imaginem se trabalhasse, após atuar junto às firmas do PIM [Polo Industrial de Manaus] em várias funções, de gerenciar divisões e departamentos e de propor e contribuir em diversas oportunidades para o aprimoramento de procedimentos organizacionais e com a criação de novos processos institucionais. Sem falar que se sente perfeitamente confortável e em equilíbrio com a atual bolha estratégica da Suframa e sem contar com o estudo autodidata e de publicações, livres e por sua conta, que vai muito além do comprometimento médio do servidor público. Mal imaginam seus opositores que é a contradição e o questionamento que impulsiona o conhecimento. Quanto aos incentivos fiscais, já declarou várias vezes que não é contra os mesmos, mas que os entende de caráter provisório e temporário. Neste quesito, sobretudo, já declarou que é a favor de superar a ZFM, o que não significa negá-la. Entende, portanto, que o chão institucional deveria ser um campo de energia em prol do autodesenvolvimento.

Portanto, está com a consciência tranquila. Já sofreu bastante, por aversão, com a incompreensão. Hoje, com calma, busca a não identificação, via desapego, com o processo social que vivencia, via prática do Yoga. A atitude e a intenção política e profissional, todavia, permanecerão até a morte em prol das amazonidades, em prol de um capitalismo amazônico, em prol do autodesenvolvimento.

Este esforço intelectual, consolidador de partes num todo, não poderia seguir para o mercado sem meus agradecimentos aos amigos: Augusto, que escreveu a orelha; Benayas, que revisou o texto; e, Ivo, que me ajudou na diagramação do miolo, na definição das capas e com a publicação no site do Clube de Autores.

Manaus, novembro/dezembro de 2015.

Antônio José Botelho.

Acesse este livro no Clube de Autores.

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