Patanjali Yoga Sutras IV a.C – II d.C.

Patanjali inicia seus Yoga-Sutras definindo o estado do Yoga como uma condição em que cessam todas as modificações da mente. No último sutra, ele indica que essa condição é um estado de kaivalya ou liberdade absoluta. Em kaivalya, a consciência retoma sua condição original não modificada. Ela retoma sua inocência, somente naquele estado em que a liberdade é possível. O estado de inocência é intocado pelo pensamento e, assim, os gunas ou qualidades da natureza retornam ao seu movimento próprio, desagrilhoados da mente. Em kaivalya, somos livres de todo o movimento do tempo psicológico. E, assim, no sentido psicológico passamos a viver de momento a momento. Cada momento é novo, uma vez que não há mais o fardo psicológico para ser carregado durante a passagem do tempo. Viver de momento a momento é realmente viver sem esforço. Quando os três gunas agem sem esforço, sem intervenção da mente, somos livres de todas as resistências psicológicas. A liberdade absoluta é verdadeiramente aquela condição em que não existem resistências e, portanto, não existem condescendências. Quando não há luta pelo vir a ser psicológico, podemos agir com absoluta liberdade. Dessa forma, a vida torna-se um fim em si mesmo, não um meio para alcançar alguma coisa ou algum objetivo. A vida tem seu próprio objetivo – tal realmente a vida do Yoga, a vida de absoluta liberdade. Apenas a mente livre pode agir livremente, sem qualquer compulsão, interior ou exterior (Mehta, p. 313-314).

Kaivalya, portanto, é aquele estado de autorrealização, no qual purusa ou atman ou o si mesmo ou o self finalmente se estabelece quando atinge o propósito de seu longo desenvolvimento evolutivo. Neste estado, os gunas, tendo cumprido seu propósito, voltam a uma condição de equilíbrio e, assim sendo, o poder da consciência pura pode funcionar sem qualquer obscuridade ou limitação (Taimni, p. 337)

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